domingo, 2 de setembro de 2012

Primeiro Post





Como atravessar o Atlântico


 Meu nome é Sabine Ramos Cabasson, tenho 21 anos e sou estudante do curso de  Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará e estou indo fazer intercâmbio na Bélgica.
Posso dizer que essa história começou na época em que fiz o vestibular da UFC e o concurso para a Casa de Cultura Francesa, e comecei a estudar francês paralelamente ao curso de graduação. A língua francesa esteve presente na minha vida desde cedo, pois o meu pai é francês e dessa forma, apesar de não saber me expressar nesta língua, sempre a compreendi muito bem, estimulando o meu fascínio por ela e a vontade de aprendê-la.
A ideia de fazer um período de estudo no exterior sempre esteve em meus planos e logo nos primeiros semestres da faculdade fui me informando sobre os programas desenvolvidos na própria universidade. Pesquisando, descobri o Brafitec, mas na época não tinha convênios para o meu curso. Fui aconselhada por uma professora a esperar mais alguns semestres antes de procurar um intercâmbio. (eu estava no terceiro semestre)
De janeiro de 2011 a janeiro de 2012 eu estagiei com os arquitetos e engenheiros do Banco Brasil e passei um ano aprendendo a resolver agências dos mais variados tipos. Poderia ter ficado mais tempo lá, porém pretendia focar minha atenção em um objetivo que há muito tempo eu almejava: o intercâmbio.
Em dezembro de 2011, incentivada por amigos do curso de Francês, me inscrevi para uma bolsa de estudo para a França do então desconhecido e pouco divulgado “Ciências sem Fronteiras”. O problema foi que era necessário um teste de proficiência na língua francesa, o que teria sido simples se não fosse a distância a qual eu me encontrava do Brasil. Aproveitando as minhas férias do estágio e da faculdade, programei uma viagem de vinte dias para a França, durante a qual pude aprender um pouco mais de Francês e na qual pude estabelecer relações com a família do meu pai.
Voltando para o Brasil, realizei o teste de proficiência e obtive o resultado esperado, mas como tinha feito a prova após a data limite estabelecida em edital, tive a minha inscrição indeferida. Tentei uma bolsa para o Brafitec (pois é, agora tem bolsas pra Arquitetura também), porém não consegui. Foi quando abriu novas chamadas do CsF, entre elas a da Bélgica e, novamente, incentivada por amigos (os mesmos da outra vez) me candidatei, novamente, a uma bolsa do CsF. Dessa vez com um pouco mais de experiência (e com o teste em mãos \o/).
Primeiramente, submete-se a aprovação da universidade. Fui homologada sem problemas, já que preenchia aos critérios estabelecidos. Aguardei a resposta do CNPQ, responsável por esse edital. Novamente, passei de fase e foi pedido que eu preenchesse um formulário no site do parceiro, o CIUF. Tive que escolher três universidades para me candidatar, escolhendo-as por ordem de prioridade. Foi pedido também que fosse feito um plano de estudo. Depois de mais ou menos três semanas, recebi o e-mail da minha primeira opção, a Université Catholique de Louvain, informando que eu tinha sido aceita para o ano acadêmico 2012-2013. Lembro que não estava esperando este e-mail e dei um grito. Ainda bem que estava apenas eu e uma amiga na sala. Ela tomou um susto! Depois disso, foi só esperar o resultado da concessão da bolsa pelo CNPQ, que saiu em meados de julho (depois de uns 3 ou 4 adiamentos) e meu nomezinho lindo estava na lista divulgada. Fiz todos os passos para a concessão da bolsa, (cadastro de conta bancária, procurações, termos de compromisso etc). Nessa época, estava novamente na França, curtindo as férias com a família. Ao retornar ao Brasil, começou a loucura para preparar tudo para a viagem.
A novela começou mesmo quando eu descobri que a carta de aceite que a UCL me mandou, não serviria para tirar o visto. Eu tinha ainda que mandar o portifólio e o comprovante do seguro para eles. Foi ai que chegou na minha casa o tal documento que eu esperava pra poder tirar o passaporte francês. Entrei em contato com a embaixada da França em Brasília e fui orientada a ir até lá. No mesmo dia comprei passagens (primeira facada do CsF), fui, falei com quem devia falar e fiz os procedimentos para o passaporte (fiz até uma carteirinha consular).
Nas duas semanas seguintes eu não parei. Fui pras despedidas da galera que está na Holanda, terminei meu portifólio, contratei o seguro, comprei as passagens para Bruxelas, enviei documentos para a universidade, pesquisei o preço do Euro, descobri que não sei pesquisar e perdi mais Euros do que eu planejava, fiz minha despedida, arrumei a mala, comprei coisinhas pra levar, reservei hospedagem pra primeira semana, pesquisei onde morar, terminei o PA5 (conhecido como o “Projeto Infinito”), devolvi livros na biblioteca...
Agora, que já entreguei o projeto, estou me sentindo mais leve (que clichê, mas tô nem ai). Mas ainda resta uma tensão, pois ainda não peguei o meu passaporte no consulado honorário. Ele deve ter chegado na sexta-feira, então amanhã eu estou lá pra pegá-lo.
Encerro este primeiro post por aqui. Eu sei que são muitas informações, mas tinha que ser assim, para que todas as coisas que eu queria dizer fossem ditas.

Até mais.