Como atravessar o Atlântico
Meu nome é Sabine Ramos Cabasson, tenho 21 anos e
sou estudante do curso de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade Federal do Ceará e estou indo fazer intercâmbio na
Bélgica.
Posso dizer que essa história começou na época em que
fiz o vestibular da UFC e o concurso para a Casa de Cultura Francesa, e comecei
a estudar francês paralelamente ao curso de graduação. A língua francesa esteve
presente na minha vida desde cedo, pois o meu pai é francês e dessa forma,
apesar de não saber me expressar nesta língua, sempre a compreendi muito bem,
estimulando o meu fascínio por ela e a vontade de aprendê-la.
A ideia de fazer um período de estudo no exterior
sempre esteve em meus planos e logo nos primeiros semestres da faculdade fui me
informando sobre os programas desenvolvidos na própria universidade. Pesquisando,
descobri o Brafitec, mas na época não tinha convênios para o meu curso. Fui
aconselhada por uma professora a esperar mais alguns semestres antes de procurar
um intercâmbio. (eu estava no terceiro semestre)
De janeiro de 2011 a janeiro de 2012 eu estagiei com
os arquitetos e engenheiros do Banco Brasil e passei um ano aprendendo a
resolver agências dos mais variados tipos. Poderia ter ficado mais tempo lá,
porém pretendia focar minha atenção em um objetivo que há muito tempo eu
almejava: o intercâmbio.
Em dezembro de 2011, incentivada por amigos do curso
de Francês, me inscrevi para uma bolsa de estudo para a França do então
desconhecido e pouco divulgado “Ciências sem Fronteiras”. O problema foi que
era necessário um teste de proficiência na língua francesa, o que teria sido
simples se não fosse a distância a qual eu me encontrava do Brasil.
Aproveitando as minhas férias do estágio e da faculdade, programei uma viagem
de vinte dias para a França, durante a qual pude aprender um pouco mais de
Francês e na qual pude estabelecer relações com a família do meu pai.
Voltando para o Brasil, realizei o teste de
proficiência e obtive o resultado esperado, mas como tinha feito a prova após a
data limite estabelecida em edital, tive a minha inscrição indeferida. Tentei
uma bolsa para o Brafitec (pois é, agora tem bolsas pra Arquitetura também),
porém não consegui. Foi quando abriu novas chamadas do CsF, entre elas a da Bélgica
e, novamente, incentivada por amigos (os mesmos da outra vez) me candidatei,
novamente, a uma bolsa do CsF. Dessa vez com um pouco mais de experiência (e
com o teste em mãos \o/).
Primeiramente, submete-se a aprovação da
universidade. Fui homologada sem problemas, já que preenchia aos critérios
estabelecidos. Aguardei a resposta do CNPQ, responsável por esse edital.
Novamente, passei de fase e foi pedido que eu preenchesse um formulário no site
do parceiro, o CIUF. Tive que escolher três universidades para me candidatar,
escolhendo-as por ordem de prioridade. Foi pedido também que fosse feito um
plano de estudo. Depois de mais ou menos três semanas, recebi o e-mail da minha
primeira opção, a Université Catholique de Louvain, informando que eu tinha
sido aceita para o ano acadêmico 2012-2013. Lembro que não estava esperando
este e-mail e dei um grito. Ainda bem que estava apenas eu e uma amiga na sala.
Ela tomou um susto! Depois disso, foi só esperar o resultado da concessão da
bolsa pelo CNPQ, que saiu em meados de julho (depois de uns 3 ou 4 adiamentos)
e meu nomezinho lindo estava na lista divulgada. Fiz todos os passos para a concessão
da bolsa, (cadastro de conta bancária, procurações, termos de compromisso etc).
Nessa época, estava novamente na França, curtindo as férias com a família. Ao
retornar ao Brasil, começou a loucura para preparar tudo para a viagem.
A novela começou mesmo quando eu descobri que a carta
de aceite que a UCL me mandou, não serviria para tirar o visto. Eu tinha ainda
que mandar o portifólio e o comprovante do seguro para eles. Foi ai que chegou na
minha casa o tal documento que eu esperava pra poder tirar o passaporte francês.
Entrei em contato com a embaixada da França em Brasília e fui orientada a ir
até lá. No mesmo dia comprei passagens (primeira facada do CsF), fui, falei com
quem devia falar e fiz os procedimentos para o passaporte (fiz até uma
carteirinha consular).
Nas duas semanas seguintes eu não parei. Fui pras
despedidas da galera que está na Holanda, terminei meu portifólio, contratei o
seguro, comprei as passagens para Bruxelas, enviei documentos para a
universidade, pesquisei o preço do Euro, descobri que não sei pesquisar e perdi
mais Euros do que eu planejava, fiz minha despedida, arrumei a mala, comprei
coisinhas pra levar, reservei hospedagem pra primeira semana, pesquisei onde
morar, terminei o PA5 (conhecido como o “Projeto Infinito”), devolvi livros na
biblioteca...
Agora, que já entreguei o projeto, estou me sentindo
mais leve (que clichê, mas tô nem ai). Mas ainda resta uma tensão, pois ainda
não peguei o meu passaporte no consulado honorário. Ele deve ter chegado na
sexta-feira, então amanhã eu estou lá pra pegá-lo.
Encerro este primeiro post por aqui. Eu sei
que são muitas informações, mas tinha que ser assim, para que todas as coisas
que eu queria dizer fossem ditas.
Até mais.